04 dezembro 2006

Despertar do Despertar

... sozinho de um jeito como nunca estive, sozinho de uma forma nova e cativante, gosto, durmo, converso comigo mesmo em sonhos, procuro por uma coisa que não sei o que é, procuro em mim mesmo, em minhas entranhas, parece-me que esta é uma cena preparatória para uma coisa maior que esta por vir, não tenho certeza, justo, sinto-me crescendo, devagar e incessantemente crescendo, não sei aonde isso vai parar, mas tenho mais respostas agora, para perguntas antes incompreensíveis, tenho vontades, sempre as tive, mas agora são mais palpáveis, mesmo não mudando muito, é como se tivesse braços maiores e mais fortes para que possa alcançá-las, vejo coisas, vejo as coisas mais facilmente, ainda estou me acostumando com isso, é como uma liberdade paliativa, provisória, substitutiva, entendo ,entendo os meus com mais clareza, já tenho uma idéia de como eles querem que eu aja, conheço eles e conheço os meus inimigos, meus adversários, sei onde eles estão, esses que me agarram com força ,me puxam pra dentro da multidão de incógnitos que cabe dentro da minha caixa torácica e que me apertam, me fazem esquecer de quem eu sou no meio deles, mas, agora sinto que posso lutar com mais ferocidade, com armas mais poderosas, que infrinjam com mais infringirdes, que cortem com mais peso, que decepem com mais precisão, que perfurem mais fundo...
Conquistei mais aliados dentro da multidão, porem, minha postura não me deixa esquecer de lembrar de meus borros, tenho amargura por eles, eles são tantos e eu sou tão fraco e pequeno comparado com esses muitos que me apertam, é preciso me provar para provar a eles, eles que são cinza, e podres de sujos, leprosos que me enojam, me enojam, me enraivecem, me enfurecem, me esfaqueiam, me puxam pelos cabelos sem dó de arrancá-los, faquires de cor de pedra e olhos vermelhos de irá por terem nascido, por existirem e se amontoarem uns nos outros dentro de mim, me odiando e se odiando por estarem aqui junto comigo, não sei se será assim para sempre, sempre eles me ferindo, me fazendo sangrar, e eu morrendo várias e várias vezes e tendo que levantar e despertar mais uma vez de manhã para continuar a seguir no caminho.

Sozinho...

Posted by Cachorro Louco at 1:12 AM